quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A greve

Logo que chegou à liderança da Inter, Arménio Carlos convocou, de imediato, mais uma greve "geral" de funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas. Perante o fracasso, nada aprendeu. Agora mais uma, de igual expressão. Arménio Carlos, por muito que o negue, segue a ideologia neo-liberal, em que o mais forte se sobrepõe sempre ao mais fraco. No caso das empresas privadas o mais forte é o patrão, munido de contratos a prazo e mecanismos de pressão dos quais o mais importante até é o de os trabalhadores perceberem que não se podem dar ao luxo de uma greve, penalizadora do seu salário e até da viabilidade da própria empresa. No caso das empresas públicas e das diversas administrações públicas onde, por "tudo o que é de todos não ser de ninguém", e de legislação de trabalho protegidíssima, há a possibilidade de paralisar sem consequências. Neste caso o mais forte é o sindicato e o mais fraco o patrão, todos nós. No PS, António Costa declara a sua compreensão pela greve. Macacão, Costa amigo, andamos todos ao mesmo, neste caso a caça ao votinho. Esteja descansado que, quando for primeiro-ministro, a Inter vai dar-lhe também umas grevezitas de prenda, com as mesmas palavras de ordem (CGTP, unidade sindical), os mesmos cartazes e os mesmos dirigentes. Mais sorte teria o Jerónimo de Sousa se fosse primeiro-ministro: com ele acabavam-se logo as greves. Mas descansem, o Arménio Carlos não ficava desempregado. Em vez de um 1º de Maio de luta, tinha toda a preparação de um 1º de Maio de festa, com desfiles e aplausos à classe dirigente (onde ele se incluiria,obviamente), sorridente e acenante no palanque da avenida.
 

sábado, 10 de novembro de 2012

Isabel Jonet

Em jovem fui presidente de uma das secções paroquiais das Conferências de S. Vicente de Paulo e lidei, embora a dimensões muito menores, com o mesmo género de problemas com que se debate a Isabel Jonet.
Nunca concordei com o modo como a recolha de alimentos para o BA se efectua. Os dias da recolha são jackpots, essencialmente para os “merceeiros” Belmiro e Soares dos Santos. Vendo bem, parte (do valor) que é doado não chega às bocas de quem necessita. Seriam muito mais interessantes contribuições em dinheiro para que o BA pudesse negociar com os PRODUTORES PORTUGUESES de massas, arroz, bolachas, conservas, leite, feijão, etc… etc… a compra dos mesmos produtos, sem que intermediários fizessem parte do circuito. No entanto, como não organizei nenhum banco alimentar, baseado nos pressupostos que enunciei, não me assiste o direito de criticar quem faz de parte importante da sua vida uma dádiva pessoal para quem mais necessita.

Há coisas que, nos tempos que correm, quando a comunicação social e as redes sociais estão dominadas pelos interesses, que não vale a pena nomear, não devem ser ditas sob pena de terem consequências negativas, sobretudo para os que queremos ajudar. O que sobra à Isabel Jonet, em generosidade e também “tiismo”, falta-lhe em manhosice.