terça-feira, 10 de março de 2015



LOCAL: Grécia, Teatro do Epidauro.
DIZ TSIPRAS: Kamaradas, estamos aqui reunidos para que me ajudem a encontrar os piores ditos que vamos atirar aos cabrõ.. do EuroGrupo e à put. da Imperatriz Merkel.
(Aplausos vibrantes do coro. O cego Tirésias bate no chão com uma vara e a cena prossegue)
DIZ TSIPRAS: Kamaradas, quem quer começar?
DIZ MANOLOS: Kamaradas, eu, Manolos Manolopolus, representante da facção nº 149, segmentada na XVI internacional AC do nosso partido, declaro o seguinte:
"Considerando que, no passado, o nosso glorioso partido sempre contestou a existência de mais 50 deputados, atribuídos ao partido vencedor das eleições, medida inventada pelos odiados Pasok e NovaDemocracia para se manterem eternamente no poder, proponho que essa aberração democrática seja abolida daqui para a frente. Tenho dito".
(Aplausos do coro, dirigidos ao Kamarada Manolos).
DIZ TSIPRAS: Kamarada Manolos... não sejas burro!
(O coro pára imediatamente de aplaudir e começa a apupar Manolos, enquanto o cego Tirésias tenta desesperadamente atingi-lo com uma máscara de madeira)
CONTINUA TSIPRAS: Kamarada Manolos, repito, NÃO SEJAS BURRO, isso era quando estávamos na oposição. Agora, que estamos no poder, esse extra de deputados pode ser-nos muito útil nas próximas eleições.
(Aplausos entusiastas do coro, enquanto o ex-kamarada, actualmente contra-revolucionário Manolos, é arrastado do palco por dois voluntários, vindos da Lusitânea, que, com esse esforço, conseguem aprovação no exame de entrada na O.V.B. (Organização Varoufakiana de Bufos)).
DIZ JORGE JESUS: "É pá não á porblema, targamno pó Bem fica. É que se não pudér jugar o Samaras... joga o Manolos".

segunda-feira, 9 de março de 2015

Muito incorrecto é verdade.
Mesmo quando era jovem e andava metido nas beatices da Igreja, nunca apreciei ladainhas.
Isto a propósito da ladainha feminina, com especial relevância nestes oitos de Março, sobre a desigualdade de género, mais isto, mais aquilo, frito e cozido, quando a generalidade(*) das mulheres, como mães e educadoras, constituem o elemento primordial na criação e manutenção dessa mesma desigualdade.
Outra ladainha prende-se com a chamada "luta das mulheres" pela conquista da igualdade.
Qual luta qual carapuça; simplesmente a sociedade de consumo, entidade abstracta, mas com actividade concreta na nossa vida quotidiana, entendeu como necessária a maior autonomia das mulheres, (especialmente financeira) no sentido de poderem dedicar-se, sem o controlo e presença inibidora dos homens, ao que essa sociedade de consumo pretende.
Ao mesmo tempo financiaram uma data de empresas de inventores e engenheiros (homens) para que máquinas de lavar louça e roupa, robots de cozinha, aspiradores, carros mais pequenos e portanto fáceis de conduzir e de arrumar, etc... etc... vissem a luz do dia e contribuíssem para essa mesma autonomia, dando à metade da humanidade, até aí muito ocupada, o tempo, esse grande amigo do consumo.
Por algum motivo, é nas sociedades mais pobres e religiosamente controladas (isentas de consumo público e fútil) que as mulheres são mais exploradas e têm menos direitos.
(*) Nada do que aqui está escrito se aplica à minoria de mulheres que vão ler este post; apenas é verdadeiro para a outra imensa maioria que tem mais que fazer do que estar a perder tempo comigo, especialmente neste dia todo feito de cravos e rosas, consoante a cor política dos ofertantes.

terça-feira, 3 de março de 2015

Ontem, quando regressava de uma animada partida de futsal, ao mesmo tempo que ouvia no mp3 uma magnífica canção de José Afonso chamada Utopia, dei comigo a reflectir sobre os porquês de ser o futebol, mais que um desporto, um extraordinário movimento de massas, transversal às sociedades e concitador de paixões como não existe paralelo em quase nenhuma outra actividade humana. Provavelmente é por ser absolutamente o espelho perfeito dos alcatruzes da nora que constituem a nossa vida quotidiana: brilhantes, desastrosos, manhosos, individuais umas vezes, colectivos outras e com a dose perfeita de controvérsia que se arrasta muito para além do tempo de jogo.
A própria política tem muito a ver com os conceitos do futebol, isto a propósito de uma jovem brilhante que se evidenciou na comissão parlamentar que investiga o escândalo BES, Mariana Mortágua, capaz, como poucos, de grandes fintas e boa visão de jogo, as quais culminaram no espectacular golo de bandeira em que um aparvalhado guarda-redes Zeinal Bava mais não pôde fazer que seguir o esférico com os olhos.
Ora a Mariana, jovem talentosa, tem o pecado de militar num clube pequeno, dos tais que nunca se pensa que possa ganhar o campeonato, sendo, por isso quase impossível que ela consiga chegar à selecção (governo) nacional.
Restar-lhe-ia, tal como no futebol, trocar o seu clube por um grande, como outros têm feito, até mesmo para uma espécie de equipa B de um grande, como fizeram os seus correligionários Rui Tavares, Daniel Oliveira e Ana Drago, na tentativa de serem chamados, mesmo na condição de suplentes, a um jogo naquelas taças menos importantes.
Ora isso quase nunca dá bons resultados. Milhares e milhares de futebolistas tentaram essa táctica mas invariavelmente perderam-se, quer seja porque jogar num grande não é o mesmo que jogar num pequeno, quer ainda porque os poderes instituídos nessas agremiações, os forçam a acomodar-se ou a desistir.

Então, tal como com Lenine, perguntemo-nos: Que fazer?

Muitos de nós certamente gostariam de poder votar na Mariana Mortágua sem, ao mesmo tempo, serem obrigados e votar na Catarina Martins, no militante X ou Y do BE e também de termos a capacidade de eleger outros de vários partidos, ou até gente fora dos partidos, mas só nos resta a malfadada cruz no boletim, significando a nossa entrega total a uma única formação de que desconhecemos a maioria das figuras ou até se as trocas e baldrocas da política farão com que sejam outros boys ou girls, ainda mais desconhecidos, os que vão usufruir do trabalho que tivemos na deslocação à mesa de voto.

Para já e nos próximos tempos, não tenho ilusões. Vai continuar a ser assim, mesmo que isso afaste cada vez mais gente do que deveria ser uma alegria cívica e não uma espécie de encolher de ombros destinado a assinalar mais um ritual de substituição de uns que são maus por outros que são péssimos.

No entanto - e aqui está a ligação com a canção Utopia, do início do texto - tenho fé (e esperança) que, no futuro, as coisas serão diferentes: A próxima geração, completamente info-alfabetizada, poderá votar exclusivamente via smartphones, tablets, computadores ou outro qualquer gadget electrónico que os substitua ou complemente. Isso fará com que seja possível cada um votar na sua própria "playlist", fugindo de vez à subordinação aos lóbis partidários, à falsa democracia representativa e ao centralismo democrático, até referendando situações em modo instantâneo, etc, etc, numa recriação da verdadeira democracia directa, até aqui só possível em pequenos grupos.

Poderão aí, os que vierem depois de nós, criar a verdadeira selecção nacional da política. Até os riscos do "conário" eleger um qualquer Tony Carreira para Presidente ou a "picharia" uma boazona duma Cristina Ferreira para Primeira-Ministra serão, mesmo assim, bem menores que os que nos permitiram eleger os que já elegemos nos últimos 40 anos.
     


  


O sr. Tsipras tem absoluta razão: os governos conservadores de Portugal e Espanha (e também da Irlanda, embora com menos barulho) tudo têm feito (dentro das suas limitações, especialmente nós que valemos zero virgula qualquer coisa) para que o senhor e o seu governo não tenham sucesso. É humano. Andaram estes últimos anos a ser "bons alunos" do BCE, da Comissão e do FMI, aplicando medidas brutais de austeridade para que agora viesse um "mau aluno", apenas porque bate o pé, passar na mesma com distinção e louvor. 
Também é humano aceitarmos que o senhor Tsipras, depois do fabuloso óscar da melhor entrada de leão e saída de sendeiro do século XXI, tenha necessidade de farroncar, perante os seus correlegionários (que pastoreados pelo herói da luta anti-nazi Manolis Glezos, já lhe começam a morder as canelas), assacando culpas do seu insucesso a estes dois outros "pobretanas" da Europa. É, ao fim e ao cabo, a velha história do seu Panatinaikos que, quando perde, é sempre culpa dos árbitros.
Acho bem que, na tentativa honesta e séria de proporcionar melhor nível de vida ao seu povo, estique a corda e use todos os meios para receber o máximo possível, dando o mínimo que puder em troca, incluindo o "euromilhões" de tudo receber sem nada pagar. Se o conseguir será, nas circunstâncias actuais em que a contra-informação também não dorme, um feito notável, inteiramente mérito seu.
Só que - e permita-me o abuso de um conselho - estique a corda só até ao limite em que ela não parta. Os "outros" não andam a dormir e podem perceber que, chutando a Grécia para fora do euro, serão 300 mil milhões de prejuízo, mas que, mantendo a Grécia dentro serão 500 ou 600 mil milhões. Aí a coisa pode descambar e, para seu mal, já todos perceberam que isso é mesmo a única coisa que o senhor não quer.
Sr. Alfredo Barroso, compreendo a sua azia perante as declarações infelizes do António Costa. Só que - a internet e a liberdade de expressão são "lixadas" - ontem ouvi, no Eixo do Mal, um habitualmente carrancudo Daniel Oliveira colocá-lo literalmente no esgoto, apresentando umas declarações ignóbeis dos seus tempos áureos de super-tachista do regime e do tio marocas, isto porque o senhor Barroso também não se escusou a chamar-lhe oportunista, devido à saída do Bloco de Esquerda, com o fito de apanhar um tachito no futuro governo PS. Se me permite um dito popular: Que "putedo", senhor Alfredo!
A questão relacionada com a alegada falta de pagamento à Segurança Social do Primeiro Ministro de Portugal é, a provar-se que é efectivamente um atropelo à lei em vigor à data, um facto muito grave. Isto porque, sabendo nós que milhares e milhares de portugueses, trabalhadores independentes, mistos e empresários o fizeram, até fazendo gala perante os tansos que cumpriam as suas obrigações, sempre à espera de uma prescrição, a eleição do Presidente ou até a visita do Papa, incluindo a passagem por baixo da mesa de umas massas para que o seu processo numa qualquer repartição fosse sucessivamente colocado na base da pilha, torna-se mortal num cidadão que, passados alguns anos, se torna Presidente do Governo. Hoje em dia - felizmente - tudo se sabe e não vale a pena tergiversar com possíveis erros dos "serviços". Ou é ou não é. E, caso seja, não pode haver alternativa a não ser a demissão imediata da personagem.


Diz A: Vejam lá que, em 85, os cabrões e chupistas dos gregos, que já andavam a mamar há 4 anos, não queriam que Portugal e Espanha entrassem para a CEE, porque assim o taco tinha que ser dividido por mais 2 pobres. É muito bem feito que agora os governos espanhol e português se vinguem. E com vingança bem geladinha!
Digo eu: Bem, em 85 também eu fui grego. Durante uns meses tive a secreta esperança que eles conseguissem fazer-nos o favor de impedir a nossa entrada. Infelizmente o ocidente estava "carregado", sobretudo à custa da miséria dos povos de África, da América Latina, da Ásia, havia o perigo soviético e lá "compraram" aos éfe dê pês dos gregos a nossa participação no bolo.
Diz B: É pá não vamos tão longe. Os gregos actuais não têm culpa que os de 85 fossem assim. As novas gerações gregas já passaram as passas do Algarve e merecem o nosso apoio...
Diz o Pai Natal: De acordo contigo, mas repara: os alemães que eram crianças em 44/45 e foram cruelmente bombardeados e estripados, os que nasceram nos 50's ou 60's que passaram fome e dificuldades, num país destruído, dividido e ocupado agora são os que vocês querem que sejam obrigados a pagar indemnizações pelas atrocidades dos nazis?
Diz o Grilo: Comprenditi!