terça-feira, 3 de março de 2015

Sempre ouvi dizer que a vingança se serve fria, ou uma história "espirituosa" mas pouco "santa".
Um amigo nosso, já desaparecido, dono de um negócio de produtos exotéricos que ia buscar à Grécia, gabava-se de vender alguns desses artigos (obviamente pela porta do cavalo) a uma senhora estabelecida como cartomante e, ao mesmo tempo, manter com ela um relacionamento íntimo. 
Em certa ocasião essa senhora, tendo-lhe ficado a dever uma avultada quantia, respondeu-lhe friamente que, “tinha feito contas e valorizando por X cada “trancada”, dava mais ou menos o valor em dívida e assim ficavam quites”.
Muita gente ainda não pensou nisso mas a família Espírito Santo está simplesmente a ajustar contas com o 25 de Abril.
Tal como a cartomante da “estória”, esperaram calma e pacientemente quase 40 anos para darem o golpe, entendendo que o valor de alguns milhares de milhões de euros que o Zé povinho vai desembolsar para desenrolar o novelo é mais ou menos o resto do que lhes é devido pela nacionalização dos bens, pela prisão e exílio de alguns elementos da família, pelo começar de novo, em suma, pelos incómodos que tudo isto lhes causou, incluindo a necessidade de andarem disfarçados de democratas, no beija-mão de certas personalidades pouco aristocráticas a quem tinham obrigação de matar a fome, uma vez saídos dos sucessivos governos, e a encherem o cú dos clubes de futebol mais populares com verbas de que tiveram certamente pouco ou nenhum retorno.
A trama foi construída pacientemente, com uma teia de empresas da “famiglia”, usadas para o bem (deles) e para o (nosso) mal, sempre com o rico dinheirinho dos depositantes a servir de alimento aos paraísos fiscais, onde agora, calmamente, o irão buscar.
Usaram a falácia da não necessidade de recapitalização do BES, pois – pudera – o interesse era não serem controlados e continuarem a tecer as malhas em que o tuga vai ser obrigado a pagar. 
Tudo isto permitido, como é óbvio, por uma data de gente, pobrezinha mas corrupta, alcandroada no poder durante décadas, que, por interesse, desleixo, ignorância, ou até soberba pensaram que as "boas famílias" esquecem o que lhes fizeram e até dão a outra face, por obra e graça do "espírito santo".
Agora – dirão eles, em discretas reuniões familiares - o país, que já está teso como um carapau, que fique com milhares de pessoas que vão necessariamente sair, das empresas falidas, com uma mão atrás e outra à frente e com o cadáver de um banco nos braços, até porque o negócio bancário já não é o que já foi, no tempo em que pagavam menos percentagem de IRC que um gajo que tenha um distribuição de pão, numa carrinha a cair de podre.
Sinceramente não posso criticar quando a coisa é feita com requinte; tenho que lhes tirar o chapéu; o culpado é sempre o idiota que deixa, não o que faz.

Que sirva de lição aos jovens, que a malta da minha geração não aprende nunca.

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