terça-feira, 3 de março de 2015

O sr. Tsipras tem absoluta razão: os governos conservadores de Portugal e Espanha (e também da Irlanda, embora com menos barulho) tudo têm feito (dentro das suas limitações, especialmente nós que valemos zero virgula qualquer coisa) para que o senhor e o seu governo não tenham sucesso. É humano. Andaram estes últimos anos a ser "bons alunos" do BCE, da Comissão e do FMI, aplicando medidas brutais de austeridade para que agora viesse um "mau aluno", apenas porque bate o pé, passar na mesma com distinção e louvor. 
Também é humano aceitarmos que o senhor Tsipras, depois do fabuloso óscar da melhor entrada de leão e saída de sendeiro do século XXI, tenha necessidade de farroncar, perante os seus correlegionários (que pastoreados pelo herói da luta anti-nazi Manolis Glezos, já lhe começam a morder as canelas), assacando culpas do seu insucesso a estes dois outros "pobretanas" da Europa. É, ao fim e ao cabo, a velha história do seu Panatinaikos que, quando perde, é sempre culpa dos árbitros.
Acho bem que, na tentativa honesta e séria de proporcionar melhor nível de vida ao seu povo, estique a corda e use todos os meios para receber o máximo possível, dando o mínimo que puder em troca, incluindo o "euromilhões" de tudo receber sem nada pagar. Se o conseguir será, nas circunstâncias actuais em que a contra-informação também não dorme, um feito notável, inteiramente mérito seu.
Só que - e permita-me o abuso de um conselho - estique a corda só até ao limite em que ela não parta. Os "outros" não andam a dormir e podem perceber que, chutando a Grécia para fora do euro, serão 300 mil milhões de prejuízo, mas que, mantendo a Grécia dentro serão 500 ou 600 mil milhões. Aí a coisa pode descambar e, para seu mal, já todos perceberam que isso é mesmo a única coisa que o senhor não quer.

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