sábado, 23 de novembro de 2013

Peço desculpa aos meus queridos amigos mas o meu "estômago" não me permite alinhar nas loas aos intervenientes na "revolução" da Aula Magna.
O bochechas, talvez um dos piores governantes da nossa História, de quem se dizia "se fosse primeiro-ministro do Saara, ao fim de um ano estava a importar areia", dono de 2-bancarrotas-2 (eu sei que as culpas são sempre dos anteriores), Presidente tão inútil como os outros, à excepção de, também como se dizia nesse tempo, ter dado, acompanhado dos fellows do costume, não sei quantas voltas ao mundo à nossa custa, criador da célebre Fundação para ele e os amigos nos continuarem a chupar, etc... etc...
O José Pacheco Pereira, jovem ideólogo do PSD nos tempos em que o Cavaco se entretinha a liquidar as nossas pescas, a nossa indústria e que,aliás, o exibia como troféu de caça, no sentido de ter apanhado um homem de "esquerda" para as suas hostes... 
A Roseta, ex-PSD, Sá-carneirista ferrenha, ex-Independente, ex-PS, novamente independentemente do PS, sempre sempre do lado de onde sopra o tacho...
Acompanhados na prebenda da TV por cromos como o Ganda Noia , a velha Ferreira Leite, o evangelista Louçã ou - pasme-se - o regressado filósofo de Paris.
E, para que o cozinhado fique completo, aventesmas como o poeta Alegre, o Almeida Santos (olha que menino) e o Vítor Ramalho.
Lamento mas tudo isto me cheira a requentado, a ressabiamento em busca do pote perdido. Não excluindo as lutas internas do PS entre o inútil Seguro e os que temem que afinal não chegue para "lá chegar".
Combata-se o governo mas com gente descomprometida e sem passados duvidosos: Eanes, José Gomes Ferreira, Paulo Morais, Rui Moreira, até gente partidária que nunca foi governo como Bernardino Soares ou Rui Rio. Com esses estarei de alma e coração. Para estes que agora estrebucham vai o meu manguito.
Afinal não é só o "estômago", é também "memória".

sábado, 2 de novembro de 2013

Dia de Finados


Sem saber bem como, estou na “Alexandre Herculano”. À minha volta gente, muita gente, uns parados, outros a deslocarem-se sem ruído. Aliás, tudo é silêncio. As cores não enganam: a palidez do rosto e das mãos, o preto-e-branco da rua, dos prédios, do próprio céu. Estranho, não me lembrava que ainda existissem os postes com os fios dos eléctricos. Uns vestidos de sobretudo e com chapéu, além um grupo de mulheres trajando à dama-antiga, dois hippies, um bau-bau com a sua flausina de saia plissada e soquetes. Já percebi, são milhares porque estão aqui todos os que por cá andaram desde sempre. Não falam, nem sei se comunicam, talvez nalguma linguagem que eu, recém-chegado, tenha de aprender. Pelo menos o aspecto é normal, não há aquele ar aterrador dos zombies do cinema. Há uns mais novos e outros velhos, alguns muito, pelo que parece que cada um permanece na idade em que resolveu partir. 
Espera, a “Coimbra” está aberta e tem pessoas lá dentro. Nem vento, nem um lixo no chão. Vou entrar. As mesas juntas e tudo sentado à volta parece configurar algum tipo de celebração; mas ninguém consome nada, aliás as mesas estão vazias do que quer que seja. Será um aniversário? E, em caso afirmativo, que data se comemora? Provavelmente a da entrada na nova vida. Saio. Tenho pressa, quero descer a avenida para, indo às raízes, tentar encontrar os meus velhos, que são só meus e os que, sendo meus, também são nossos. Talvez andem lá para os lados da "Smarta". Que excitação. Mas há tanta gente que me é quase impossível passar. Um tipo, que não reconheço, olha para mim. Espera, já consigo. Está a “falar” comigo embora a boca não mexa: “´Já vi que és novo por aqui. Tem calma, vais ter muito tempo para colocares respostas em todas as tuas perguntas”.

Descansem em paz.