domingo, 23 de junho de 2013
O grande problema dos nossos tempos prende-se com o facto de, qualquer dia, sem darmos bem por isso, estarmos a desejar o que já existia durante o Estado Novo: Pleno emprego; professores prestigiados, alunos dóceis, pais apoiantes incondicionais dos professores e que davam a educação em casa; trabalhadores com direitos laborais definidos, cumprimento de horários, horas extraordinárias pagas, ausência de precários a recibo verde, não existência de contratos a prazo; respeito e segurança nas ruas; funcionalismo público (o célebre trabalho nas repartições) com direitos e emprego para a vida, bancos pujantes, o Benfica campeão europeu, etc... etc... E, tudo isto, apenas com uma pequena contrapartida: não nos metermos na política e o país não precisar de gastar balúrdios a organizar eleições, porque alguém, lá no alto, zela por nós. Como, ainda por cima, a guerra colonial já não poderia voltar, a coisa pode um dia ser tentadora para as massas.
Para a professora Anabela Bragança, o Miguel Sousa Tavares é um herói quando chama palhaço ao PR e arrasa o governo.
Agora, que ele criticou a greve dos professores, já é co-responsável pelo estado a que chegou o país por - imagine-se - ser filho de quem é.
Minha senhora, tem razão ao defender os seus direitos e interesses particulares (enfim, esses são os motivos justos e válidos, não a treta da defesa da escola pública), agora torna-se ridícula quando quer uma espécie de pensamento único.
Agora, que ele criticou a greve dos professores, já é co-responsável pelo estado a que chegou o país por - imagine-se - ser filho de quem é.
Minha senhora, tem razão ao defender os seus direitos e interesses particulares (enfim, esses são os motivos justos e válidos, não a treta da defesa da escola pública), agora torna-se ridícula quando quer uma espécie de pensamento único.
A propósito do que se
passa no Brasil, ouvi a um jornalista brasileiro, provavelmente de direita, a
frase assassina: “Pobre no poder não tem como não virar corrupto”.
Como em todo o lado, agora
é a direita brasileira que cavalga o descontentamento da população para voltar
ao poder.
Mais uma vez, como em todo
o lado, o rotativismo impõe-se inexoravelmente.
Sem deixar de atacar a
injustiça da frase, dei por mim a elencar as proveniências de grandes figurões
da nossa praça, quase todos envolvidos em negociatas para proveito próprio.
Desde o filho do homem da bomba de gasolina de aldeia, que andava não sei
quantos quilómetros para ir à escola, até ao filho do cavador de Aguiar da
Beira, que nos brindou com o célebre telefonema “… pai, sou ministro”, passando
pelo autarca modelo, com o sobrinho taxista na Suiça e a troupe que sacou o
mais que pôde da árvore das patacas de Macau, todos têm em comum a proveniência
humilde ou, vá lá, remediada menos.
Provavelmente, acreditando
no que se lê nas redes sociais sobre Inglaterra e os seus deputados, que ganham
pouco e pagam tudo do seu bolso, só nos vamos safar da corrupção no poder se
formos governados por ricos, os tais que já não precisam de roubar.
Não concordo, é triste,
mas será que a embriaguez motivada pelo acesso súbito e fácil ao pote é parte
integrante da natureza humana?
Conheço (felizmente) gente
que “teve ocasião e não se tornou ladrão”. Mas, provavelmente, esses terão sido
os grãos de areia que “nunca foram a lado nenhum”.
Uma vez li a seguinte
crónica num jornal:
“Uma mãe, acompanhada do
seu filho, desespera dentro do seu carrito, num engarrafamento brutal. Ao ver
um espertalhaço a ultrapassar todos pela berma, o puto incentiva a mãe a fazer
o mesmo. Esta aproveita para lhe dar uma lição de moral. – Meu filho isso não
está correcto; as pessoas assim são más, passam por cima de tudo e todos, até
podem roubar, apenas para chegarem onde pretendem. – Ai é, diz o infante, bela
cena, então por isso é que o gajo tem um “ganda” carro e o nosso está a cair de
podre”.
sábado, 22 de junho de 2013
O senhor Abílio Carvalho, que, tal como a professora Isabela
Figueiredo, também é amplamente partilhado no FB, tem, na sua agressiva página,
um cartaz muito interessante.
Eu, que fui gráfico no início da minha actividade
profissional, não lhe vou louvar as qualidades de imagem, as quais são
sofríveis, mas sim a mensagem.
Diz esta o seguinte:
“Como explicarás aos teus filhos que perdeste o que os teus
pais conquistaram com a luta / Como poderás sentar-te em frente aos teus filhos
e dizer-lhes que não têm direitos porque tiveste medo de lutar”.
Ora esta mensagem lembra-me a célebre teoria da “curvatura
da vara”, atribuída a Vladimir Ilyitch Uliánov (vulgo Lenin) e que, em poucas
palavras, diz o seguinte: Quando uma vara está curvada à força para um lado e
se solta de repente, não vai calmamente para a posição de equilíbrio mas sim
violentamente para o lado oposto, novamente para o lado original e assim
sucessivamente.
Sobre a “luta” que é referida no cartaz, penso ser muito
pretensioso que uma geração esteja a apresentar-se perante os jovens como tendo
sido, “em perigos e guerras esforçados”, uns lutadores do caraças. Eu vivi
esses tempos, fui dirigente do Sindicato das Artes Gráficas e membro de uma
Comissão de Trabalhadores e não tenho ideia que essas grandes conquistas tenham
sido assim tão difíceis como isso; uma grevezita, uma ocupação, com muita
jogatana de lerpa e montinho e já estava; não nos esqueçamos que governos
provisórios, Conselho da Revolução e até a Presidência estavam essencialmente
empenhados em assegurar que, politicamente, as coisas não descambassem para
fora da democracia formal e não em coartar a melhoria de vida dos
trabalhadores. Além disso ainda havia ouro e divisas (a pesada herança) e a
grande arma da desvalorização da moeda, acompanhada da hiper-inflação, que
permitia grandes aumentos de salários. Mais, a extensão do sector público era
enorme, comparada com a de hoje. Bancos, Seguros, a totalidade dos Transportes,
estaleiros, etc… etc… pertenciam ao Estado, que é de todos e de ninguém.
Estes cromos, ao colocarem-se em bicos de pés, como tendo
sido grandes “lutadores”, estão simplesmente a ofender a memória, por exemplo,
das operárias americanas do século XIX, que morreram queimadas no 1º de Maio ou
dos camponeses alentejanos, perseguidos, presos e mortos, durante o Estado Novo.
Até o famigerado Cavaco, por razões eleitoralistas e com
parte dos milhões que vinham da Europa, contribuiu para a chamada criação do
monstro, dando, de mão beijada, progressões automáticas nas carreiras, o que
garantia o aumento da massa salarial mesmo que os salários-base não fossem
aumentados.
Ora, dando de barato que, antes do 25 de Abril, a vara de
Lenin estava violentamente puxada para o lado dos patrões (estado incluído), e
a revolução a libertou dessa inclinação, é líquido que a vara passou para o
outro lado e que agora naturalmente terá de haver alguma perda para se atingir
o equilíbrio. E tanto é mais verdade que estes totós, que se arrogam de serem
protagonistas de grandes lutas, não valem um caracol, que, por exemplo, no caso
dos trabalhadores do sector privado, tudo recuou rapidamente logo poucos anos
depois. Basta atentar que a primeira lei dos contratos a prazo (os chamados
precários) data de 1983.
O próprio Estado recorre, desde essa altura, a artimanhas
para ultrapassar as suas próprias leis, garantes dos direitos dos seus
trabalhadores, as quais se revestem do eufemismo designado por “outsourcing”.
E, para que tudo seja redondo, como a “bola colorida nas
mãos de uma criança”, eis estes jovens “outsourcers”, maioritariamente
precários, a recibos verdes, sem horário, sem futuro, os tais filhos e netos
que figuram na parte final do cartaz, referido no início, e que não precisam
que ninguém lhes explique que os senhores Abílios e quejandos há muito que
perderam as tais lutas que, em boa verdade, nem sequer chegaram a travar.
A “setôra” Isabela Figueiredo, amplamente partilhada e “gostada” no FB, tem um texto onde declara “Que vergonha tenho de vós, colegas!”. Pois bem, embora muitos tivessem desejado que a “democracia” orgânica de Salazar e Caetano fosse substituída pelo “centralismo democrático” do Comité Central, a realidade é que a maior conquista do 25 de Abril foi mesmo a liberdade de cada um decidir o que acha melhor para si próprio, incluindo os direitos de fazer ou não fazer greve.
Passando os olhos “à voo de ave” pelo blogue desta distinta senhora (novomundoperfeito), o qual, por acaso?, não admite comentários, encontrei algumas pérolas, estas sim de fino recorte literário: uma, com o sugestivo título de “Sentença V” informa-nos que “Detestamos a segunda-feira porque rejeitamos intuitivamente a escravidão.”. Lindo!; outra, com o ainda mais interessante rótulo de “Um broche num beco, sem outra moral” mostra-nos um pungente estado de alma, e cito “Passei-me com os miúdos. Estando a falar-lhes sobre o caso em que a poesia é catarse, e não sabendo eles o isso era, expliquei. Gozaram. Não sei porquê. Porque a palavra tem graça. Porque alguém disse uma piada. Porque a poesia não lhes interessa nem a catarse nem nada que não seja o que nós valorizávamos na idade em que estão. Depois vinguei-me. Dei um dos poemas mais gay do Cesariny sem nunca perceberem que aquilo era, afinal, um broche num beco. Também, não lhes disse (que era um broche num beco).” Sem comentários! E termino embalado na “Sentença IV”, a qual claramente nos esclarece que “As pessoas não acreditam nisso do karma porque não vivem a minha vida.”.
Bom, aceitando – e nem podia ser de outra forma – o direito que esta senhora tem de fazer greve, chateando os que não podem ou não a querem fazer e deixando-a com a sua “escravidão”, os seus “broches”, o seu “Karma” e a sua indomável vontade “controleira” de perorar sobre os direitos dos outros, só peço a Deus que a minha filha mais nova, que ainda anda nestas andanças da escola (pública, obviamente), não tenha o azar de a encontrar como mestra. É que os professores não se escolhem.
Passando os olhos “à voo de ave” pelo blogue desta distinta senhora (novomundoperfeito), o qual, por acaso?, não admite comentários, encontrei algumas pérolas, estas sim de fino recorte literário: uma, com o sugestivo título de “Sentença V” informa-nos que “Detestamos a segunda-feira porque rejeitamos intuitivamente a escravidão.”. Lindo!; outra, com o ainda mais interessante rótulo de “Um broche num beco, sem outra moral” mostra-nos um pungente estado de alma, e cito “Passei-me com os miúdos. Estando a falar-lhes sobre o caso em que a poesia é catarse, e não sabendo eles o isso era, expliquei. Gozaram. Não sei porquê. Porque a palavra tem graça. Porque alguém disse uma piada. Porque a poesia não lhes interessa nem a catarse nem nada que não seja o que nós valorizávamos na idade em que estão. Depois vinguei-me. Dei um dos poemas mais gay do Cesariny sem nunca perceberem que aquilo era, afinal, um broche num beco. Também, não lhes disse (que era um broche num beco).” Sem comentários! E termino embalado na “Sentença IV”, a qual claramente nos esclarece que “As pessoas não acreditam nisso do karma porque não vivem a minha vida.”.
Bom, aceitando – e nem podia ser de outra forma – o direito que esta senhora tem de fazer greve, chateando os que não podem ou não a querem fazer e deixando-a com a sua “escravidão”, os seus “broches”, o seu “Karma” e a sua indomável vontade “controleira” de perorar sobre os direitos dos outros, só peço a Deus que a minha filha mais nova, que ainda anda nestas andanças da escola (pública, obviamente), não tenha o azar de a encontrar como mestra. É que os professores não se escolhem.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A Raquel Varela afirma que "Governo aposta na precarização das relações laborais". Não acredito que haja algum português que não soubesse, em 2011, que PSD e CDS apostam na precarização das relações laborais. Ora, como, em igualdade de circunstâncias com os partidos que não apostam na precarização das relações laborais, estes dois ganharam as eleições, assumo que a maioria dos portugueses gosta de quem aposta na precarização das relações laborais.
Aqueles que, alguns anos antes do 25 de Abril, já tinham alguma consciência política lembram-se que, além da guerra em África, era a falta de direitos políticos que consubstanciava o divórcio entre a generalidade dos portugueses e o regime.
Assim, uma das grandes conquistas da revolução dos cravos foi, indubitavelmente, a existência de eleições livres e universais; pela primeira vez na nossa história o princípio “um cidadão, um voto” foi implementado. Ora lembremos aos mais distraídos os acontecimentos dos primeiros meses de 1975, imediatamente antes das primeiras eleições verdadeiramente livres e universais que Portugal conheceu em centenas de anos de História (uma consulta aos jornais da época é elucidativa): O Partido Comunista, a Intersindical, o MDP-CDE (uma espécie de satélite do PC, semelhante aos Verdes dos nossos dias), juntamente com algumas figuras gradas do MFA, começaram com uma campanha contra as eleições, argumentando que “blá, blá, o povo não estava preparado para votar, era melhor esperar mais tempo, etc… etc…” Ui!, então tanta luta para que os portugueses fossem livres de escolher o seu destino e agora já não estávamos à altura dessa tarefa?
Saltando 38 anos chegamos a 2013, com esse mesmo Partido, que pouco ou nada mudou desde esses tempos, a exigir eleições antecipadas. Para quê? Porque acha que pode ganhá-las? Porque quer juntar-se ao PS e ao BE no tal governo patriótico e de esquerda? Obviamente que não. O PC tem receio de duas coisas, igualmente negativas, não para os portugueses porque essas preocupações não lhes devem assistir, mas para a sua sobrevivência: a primeira, embora pouco provável, é que as coisas mudem na Europa e o governo PSD/CDS comece a aliviar a canga, dar uns chupas aos reformados, afinal já não fazer muito sangue na função pública e, à “la Tatcher” voltar a ganhar em 2015. A segunda, se calhar ainda pior que a primeira, é que a crise continue, a bipolarização aumente, os portugueses perceberem que não vale a pena dispersar votos à esquerda e o PS, mais uma vez, consiga uma maioria absoluta.
Pessoalmente estou politicamente órfão. Não me apetece votar em nenhum dos partidos do chamado arco da governação (a nossa tróica) nem, como tenho memória, no PC. O BE, enfim, nem sequer entra nas minhas cogitações uma vez que não partilho da generalidade das suas causas fracturantes.
Resta-me esperar (provavelmente sentado) que as grandes figuras, efusivamente partilhadas nas redes sociais, os “Paulos de Morais”, os “Medinas Carreiras”, os “Josés Gomes Ferreiras”, os “Paulos Trigos”, os “Viriatos Soromenhos” e quejandos, deixem o conforto da opinião crítica e se cheguem à frente. Terei (teremos) sorte?
Assim, uma das grandes conquistas da revolução dos cravos foi, indubitavelmente, a existência de eleições livres e universais; pela primeira vez na nossa história o princípio “um cidadão, um voto” foi implementado. Ora lembremos aos mais distraídos os acontecimentos dos primeiros meses de 1975, imediatamente antes das primeiras eleições verdadeiramente livres e universais que Portugal conheceu em centenas de anos de História (uma consulta aos jornais da época é elucidativa): O Partido Comunista, a Intersindical, o MDP-CDE (uma espécie de satélite do PC, semelhante aos Verdes dos nossos dias), juntamente com algumas figuras gradas do MFA, começaram com uma campanha contra as eleições, argumentando que “blá, blá, o povo não estava preparado para votar, era melhor esperar mais tempo, etc… etc…” Ui!, então tanta luta para que os portugueses fossem livres de escolher o seu destino e agora já não estávamos à altura dessa tarefa?
Saltando 38 anos chegamos a 2013, com esse mesmo Partido, que pouco ou nada mudou desde esses tempos, a exigir eleições antecipadas. Para quê? Porque acha que pode ganhá-las? Porque quer juntar-se ao PS e ao BE no tal governo patriótico e de esquerda? Obviamente que não. O PC tem receio de duas coisas, igualmente negativas, não para os portugueses porque essas preocupações não lhes devem assistir, mas para a sua sobrevivência: a primeira, embora pouco provável, é que as coisas mudem na Europa e o governo PSD/CDS comece a aliviar a canga, dar uns chupas aos reformados, afinal já não fazer muito sangue na função pública e, à “la Tatcher” voltar a ganhar em 2015. A segunda, se calhar ainda pior que a primeira, é que a crise continue, a bipolarização aumente, os portugueses perceberem que não vale a pena dispersar votos à esquerda e o PS, mais uma vez, consiga uma maioria absoluta.
Pessoalmente estou politicamente órfão. Não me apetece votar em nenhum dos partidos do chamado arco da governação (a nossa tróica) nem, como tenho memória, no PC. O BE, enfim, nem sequer entra nas minhas cogitações uma vez que não partilho da generalidade das suas causas fracturantes.
Resta-me esperar (provavelmente sentado) que as grandes figuras, efusivamente partilhadas nas redes sociais, os “Paulos de Morais”, os “Medinas Carreiras”, os “Josés Gomes Ferreiras”, os “Paulos Trigos”, os “Viriatos Soromenhos” e quejandos, deixem o conforto da opinião crítica e se cheguem à frente. Terei (teremos) sorte?
segunda-feira, 17 de junho de 2013
O Ministério da Educação é realmente incompetente. Bastava
colocar todos os alunos nos ginásios das escolas (eu, no Camões, fiz vários
exames assim) que, automaticamente, seria necessária uma quantidade de
professores muito mais reduzida para “vigiar”, ficando toda a gente contente:
os professores com a sua greve e os alunos com o seu exame.
Havia um tipo que dizia: Nunca fiz greve porque não quero
dar ao meu patrão a oportunidade de perceber que afinal não faço falta nenhuma.
Se, para ensinar, os professores são imprescindíveis, não será que, para vigiar
exames, um bom contínuo à antiga, do género do Gomes do Camões, que, quando
entrava na sala, até os cabelinhos dos sítios mais recônditos se encolhiam, é mais do que suficiente?
A Inês
A Inês Gonçalves é uma espécie de contraponto do Martim, o
puto que, no “Prós e Contras”, deu um banho à “croma” da esquerda Raquel Varela
(sim, há cromos de direita e cromos de esquerda); no entanto há uma pequena
diferença: eu vi o Martim, com as suas virtudes, limitações e defeitos, em público,
empenhado em defender, sem medo, o seu modelo; já a Inês, no facebook, tanto
pode ser quem diz ser, como algum gajo de boina, camisa de flanela aos
quadrados, barba mal semeada e botas da tropa (esse era eu há quase 40 anos);
no entanto, aceitando que a Inês exista mesmo, só posso dizer-lhe que gostei
muito do que escreveu e como escreveu (aí dou-lhe um “like”), sem no entanto
aceitar eximir-me a um pequeno reparo: minha querida, quando escreves, e cito “…Onde
mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?...”,
só posso responder-te – Morará em
ti e provavelmente no companheiro que escolheres e te escolher; o pensares que
isso deverá estar nas preocupações de outrem não me parece muito sensato,
especialmente se, como parece estares a ser apresentada, não pertenceres a
nenhum dos grupos sociais, ditos problemáticos que – esses sim – se habituou à
mama de tudo receber sem nada ser obrigado a dar em troca.
sábado, 15 de junho de 2013
O que se passa nas escolas vem de há décadas. Pelo que sei, foram os governos do Sócrates que iniciaram uma série de reformas necessárias e urgentes, as quais, como não podia deixar de ser, levaram 120.000 professores às ruas, comandados pelo inefável Mário Nogueira. Ora o que é a maioria desses 120.000 fizeram em 2011? Trocaram o Sócrates pelo Passos Coelho (não me venham dizer que foram enganados). Agora lá estão mais não sei quantos mil em manifs e greves, igualmente liderados pelo mesmo bonzo (os sindicalistas não têm limitação de mandatos?) preparando-se para entregarem o poder ao PS, para de novo virem para a rua e para a greve, provavelmente para termos de levar com o Nogueira e a Avoila na televisão com as mesmas declarações requentadas.
A greve dos professores
Pessoalmente - a minha opinião vale o que vale - considero esta greve uma pulhice, apenas possível porque o Mário Nogueira não conseguiu ser CEO da CGTP e agora quer puxar pelos galões para talvez conseguir um lugar no Comité Central do PCP. Tal como nas greves dos transportes (contra o Estado ou o Governo) também os que menos podem (num caso os que precisam de ir trabalhar, usando os transportes públicos, noutro os que precisam de fazer exames) são tomados como reféns de quem, independentemente das razões profissionais que lhes possam assistir, não tem capacidade nem inteligência para inventar outras formas de luta. Já não há pachorra.
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