A “setôra” Isabela Figueiredo, amplamente partilhada e “gostada” no FB, tem um texto onde declara “Que vergonha tenho de vós, colegas!”. Pois bem, embora muitos tivessem desejado que a “democracia” orgânica de Salazar e Caetano fosse substituída pelo “centralismo democrático” do Comité Central, a realidade é que a maior conquista do 25 de Abril foi mesmo a liberdade de cada um decidir o que acha melhor para si próprio, incluindo os direitos de fazer ou não fazer greve.
Passando os olhos “à voo de ave” pelo blogue desta distinta senhora (novomundoperfeito), o qual, por acaso?, não admite comentários, encontrei algumas pérolas, estas sim de fino recorte literário: uma, com o sugestivo título de “Sentença V” informa-nos que “Detestamos a segunda-feira porque rejeitamos intuitivamente a escravidão.”. Lindo!; outra, com o ainda mais interessante rótulo de “Um broche num beco, sem outra moral” mostra-nos um pungente estado de alma, e cito “Passei-me com os miúdos. Estando a falar-lhes sobre o caso em que a poesia é catarse, e não sabendo eles o isso era, expliquei. Gozaram. Não sei porquê. Porque a palavra tem graça. Porque alguém disse uma piada. Porque a poesia não lhes interessa nem a catarse nem nada que não seja o que nós valorizávamos na idade em que estão. Depois vinguei-me. Dei um dos poemas mais gay do Cesariny sem nunca perceberem que aquilo era, afinal, um broche num beco. Também, não lhes disse (que era um broche num beco).” Sem comentários! E termino embalado na “Sentença IV”, a qual claramente nos esclarece que “As pessoas não acreditam nisso do karma porque não vivem a minha vida.”.
Bom, aceitando – e nem podia ser de outra forma – o direito que esta senhora tem de fazer greve, chateando os que não podem ou não a querem fazer e deixando-a com a sua “escravidão”, os seus “broches”, o seu “Karma” e a sua indomável vontade “controleira” de perorar sobre os direitos dos outros, só peço a Deus que a minha filha mais nova, que ainda anda nestas andanças da escola (pública, obviamente), não tenha o azar de a encontrar como mestra. É que os professores não se escolhem.
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