Aqueles que, alguns anos antes do 25 de Abril, já tinham alguma consciência política lembram-se que, além da guerra em África, era a falta de direitos políticos que consubstanciava o divórcio entre a generalidade dos portugueses e o regime.
Assim, uma das grandes conquistas da revolução dos cravos foi, indubitavelmente, a existência de eleições livres e universais; pela primeira vez na nossa história o princípio “um cidadão, um voto” foi implementado. Ora lembremos aos mais distraídos os acontecimentos dos primeiros meses de 1975, imediatamente antes das primeiras eleições verdadeiramente livres e universais que Portugal conheceu em centenas de anos de História (uma consulta aos jornais da época é elucidativa): O Partido Comunista, a Intersindical, o MDP-CDE (uma espécie de satélite do PC, semelhante aos Verdes dos nossos dias), juntamente com algumas figuras gradas do MFA, começaram com uma campanha contra as eleições, argumentando que “blá, blá, o povo não estava preparado para votar, era melhor esperar mais tempo, etc… etc…” Ui!, então tanta luta para que os portugueses fossem livres de escolher o seu destino e agora já não estávamos à altura dessa tarefa?
Saltando 38 anos chegamos a 2013, com esse mesmo Partido, que pouco ou nada mudou desde esses tempos, a exigir eleições antecipadas. Para quê? Porque acha que pode ganhá-las? Porque quer juntar-se ao PS e ao BE no tal governo patriótico e de esquerda? Obviamente que não. O PC tem receio de duas coisas, igualmente negativas, não para os portugueses porque essas preocupações não lhes devem assistir, mas para a sua sobrevivência: a primeira, embora pouco provável, é que as coisas mudem na Europa e o governo PSD/CDS comece a aliviar a canga, dar uns chupas aos reformados, afinal já não fazer muito sangue na função pública e, à “la Tatcher” voltar a ganhar em 2015. A segunda, se calhar ainda pior que a primeira, é que a crise continue, a bipolarização aumente, os portugueses perceberem que não vale a pena dispersar votos à esquerda e o PS, mais uma vez, consiga uma maioria absoluta.
Pessoalmente estou politicamente órfão. Não me apetece votar em nenhum dos partidos do chamado arco da governação (a nossa tróica) nem, como tenho memória, no PC. O BE, enfim, nem sequer entra nas minhas cogitações uma vez que não partilho da generalidade das suas causas fracturantes.
Resta-me esperar (provavelmente sentado) que as grandes figuras, efusivamente partilhadas nas redes sociais, os “Paulos de Morais”, os “Medinas Carreiras”, os “Josés Gomes Ferreiras”, os “Paulos Trigos”, os “Viriatos Soromenhos” e quejandos, deixem o conforto da opinião crítica e se cheguem à frente. Terei (teremos) sorte?
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