A propósito do que se
passa no Brasil, ouvi a um jornalista brasileiro, provavelmente de direita, a
frase assassina: “Pobre no poder não tem como não virar corrupto”.
Como em todo o lado, agora
é a direita brasileira que cavalga o descontentamento da população para voltar
ao poder.
Mais uma vez, como em todo
o lado, o rotativismo impõe-se inexoravelmente.
Sem deixar de atacar a
injustiça da frase, dei por mim a elencar as proveniências de grandes figurões
da nossa praça, quase todos envolvidos em negociatas para proveito próprio.
Desde o filho do homem da bomba de gasolina de aldeia, que andava não sei
quantos quilómetros para ir à escola, até ao filho do cavador de Aguiar da
Beira, que nos brindou com o célebre telefonema “… pai, sou ministro”, passando
pelo autarca modelo, com o sobrinho taxista na Suiça e a troupe que sacou o
mais que pôde da árvore das patacas de Macau, todos têm em comum a proveniência
humilde ou, vá lá, remediada menos.
Provavelmente, acreditando
no que se lê nas redes sociais sobre Inglaterra e os seus deputados, que ganham
pouco e pagam tudo do seu bolso, só nos vamos safar da corrupção no poder se
formos governados por ricos, os tais que já não precisam de roubar.
Não concordo, é triste,
mas será que a embriaguez motivada pelo acesso súbito e fácil ao pote é parte
integrante da natureza humana?
Conheço (felizmente) gente
que “teve ocasião e não se tornou ladrão”. Mas, provavelmente, esses terão sido
os grãos de areia que “nunca foram a lado nenhum”.
Uma vez li a seguinte
crónica num jornal:
“Uma mãe, acompanhada do
seu filho, desespera dentro do seu carrito, num engarrafamento brutal. Ao ver
um espertalhaço a ultrapassar todos pela berma, o puto incentiva a mãe a fazer
o mesmo. Esta aproveita para lhe dar uma lição de moral. – Meu filho isso não
está correcto; as pessoas assim são más, passam por cima de tudo e todos, até
podem roubar, apenas para chegarem onde pretendem. – Ai é, diz o infante, bela
cena, então por isso é que o gajo tem um “ganda” carro e o nosso está a cair de
podre”.
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