quinta-feira, 10 de abril de 2014
25 de Abril
Como Português sinto-me grato aos capitães de Abril que me outorgaram a liberdade de escolher democraticamente o destino do meu País. Ao longo destes 40 anos nunca faltei a nenhuma eleição, fosse ela para o Parlamento, para as Autarquias, para a Presidência da República ou, mais recentemente, para as Europeias. Umas vezes escolhi bem, outras verifiquei que o meu voto foi utilizado de uma forma contrária ao que eu imaginaria, outras ainda percebi que o meu romantismo ocasional fez engrossar os votos que não elegem ninguém; mas felizmente, pelo menos de quatro em quatro anos, tenho tido a oportunidade de confirmar ou alterar a escolha anterior. Isso é, no fundo, o mais importante. Quanto ao facto de estes pretenderem discursar nas Comemorações Oficiais, acho bem que o pudessem fazer. Mas também não me choca que isso não seja possível, isto porque não me lembro que o tenham feito ou até exigido em outras comemorações de números redondos da revolução dos cravos. Os 10 anos, em 1984, os 20 anos, em 1994, os 30 anos, em 2004, não contaram com as suas intervenções e não me parece que tenha havido qualquer problema. Além disso, quem discursaria em nome dos capitães de Abril? Os mais famosos, António Ramalho Eanes ou Otelo Saraiva de Carvalho? Duran Clemente, o ocupador frustrado da RTP, ou o que foi apodado de fascista por toda a esquerda e extrema- esquerda, em 25 de Novembro, Vasco Lourenço? Os mais de trezentos oficiais, de baixa e média patente, muitos já falecidos (Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vítor Alves, Firmino Miguel, Ramiro Correia, entre outros) que, com risco das suas vidas e das suas carreiras souberam transformar um conjunto de reivindicações profissionais (que, por ironia, felizmente não foram aceites por Marcello Caetano), num projecto de democratização do país, estarão para sempre no coração de todos nós, independentemente dos seus percursos, das suas opções e até da sua simpatia pessoal. O passar dos anos ensina-nos que os inimigos de hoje podem ser os aliados de amanhã e também que as boas revoluções (como a nossa foi) devoram sempre os seus heróis. As outras, essas acabam por entronizá-los por muitas décadas, sendo sempre patético o seu fim.
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