domingo, 14 de outubro de 2012

A crise I

... O João Ferreira do Amaral advoga a saída do euro. No entanto não se coibe de afirmar que os efeitos seriam terríveis para os Portugueses; as dívidas (sobretudo e a doerem mais) da habitação própria, dos empréstimos pessoais, das prestações dos automóveis continuariam em euros, enquanto a nova moeda desvalorizaria entre 30 e 50 por cento.

Lembrei-me do que li sobre os racionamentos do tempo da guerra, com uma espécie de dupla moeda traduzida em senhas que valiam para comprar determinados produtos básicos. Adaptando aos nossos tempos (ao fim e ao cabo os tempos que correm também constituem uma espécie de guerra) podíamos implementar novamente o escudo em paralelo com o euro. Parte dos salários (70%) seriam pagos em euros e os restantes 30% em escudos. A nova moeda passava a ter cotação livre e só circularia obviamente dentro do país. Os euros recebidos serviam para honrar as dívidas nessa moeda e para comprar produtos que fossem importados. Os escudos,sujeitos a desvalorização por via da "impressão" de notas à vontade dos governos, podiam ser utilizados internamente, essencialmente para produtos do mercado interno, basicamente leite, pão, farinhas, massas, arroz, batatas,etc... mas igualmente para o comércio. Como as empresas também pagariam parte dos salários em escudos não teriam problemas em aceitá-los,isto falando de cafés, restaurantes e outros serviços. É evidente que carros,whiskeys e outros produtos seriam obviamente em euros. Quem quisesse obter euros, em troca de escudos, podia fazê-lo trocando-os com outros cidadãos, ao câmbio que fosse acordado entre ambos. Pequenos problemas logísticos podiam ser resolvidos facilmente ou com poucas modificações: Contas duplas nas duas divisas,algumas máquinas multibanco para euros e outras para escudos. Isto tudo mantendo os salários inalterados, sem cortes de subsídios e sem aumentos de IRS e com eventuais aumentos de salários apenas em escudos.

Vantagens? Ninguém perdia poder de compra e os governos tinham alguma margem de manobra, promovia intensamente o mercado interno e o consumo de bens e serviços,incluindo o turismo, desde que funcionando em circuito fechado nacional, não se ressentia.

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