sábado, 20 de outubro de 2012

A informação que temos

Independentemente da pena que nos possam causar as pessoas que têm pouco juízo, podemos perguntar-nos: O que é que nós (contribuintes) ou o governo e o PR têm a ver com isto?

Alguns factos:

A mulher que gritou no 5 de Outubro
Luísa Trindade nasceu há 57 anos em Campo Maior. Veio há 30 para Lisboa, com marido e filhos, em busca de vida melhor.
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Chegou a Lisboa há 30 anos, mais coisa menos coisa. "Vim como a maioria das mulheres da minha terra veio, com o marido e os filhos, em busca de uma outra vida.
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O coração pende-lhe mais para a esquerda. "Sempre votei, desde os 18 anos, nunca falhei. Nunca votei Cavaco Silva e sempre votei à esquerda, embora não tenha partido. Até porque acho que não é preciso ter posição política definida para achar que todas as pessoas devem ter as mesmas oportunidades e direitos."

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O casamento foi feito por ali, no Alentejo, aos 20 anos, com um rapaz da terra, e os dois filhos (um rapaz hoje com 30, a rapariga com 32) por lá nasceram. "Quando vim para Lisboa, ainda fiz uns trabalhitos, mas ao fim de um ano eu e o meu marido conseguimos arrendar uma casa de electrodomésticos, por lá ficámos mais de vinte anos. Vendíamos pequenos e grandes electrodomésticos, tínhamos um pouco de tudo. Começámos devagarinho e durante muitos anos correu bem, com boas vendas.

"Oh, aquilo chegou a dar mesmo muito dinheiro, não sei dizer quanto, mas a nível económico vivíamos bem. Férias no Algarve em tempo de praia, jantares fora, sem preocupações, uma casa grande de quatro assoalhadas em Odivelas, onde não faltava nada." O aparecimento das grandes superfícies começou "a complicar um negócio" que foi próspero durante muito tempo. "Aí foi a decadência. A juntar a isso, o meu marido começou a meter-se em coisas que dão aos homens daquela idade, a beber, a ficar alterado. Começámos a ter, eu e o meu filho – que ainda vivia comigo –, uma situação insustentável, o meu marido tratava-me muito mal fisicamente.

"Já tinha quase cinquenta anos mas tive que me ir embora.

Tanto que a vida lhe trocou as voltas pouco depois de sair de casa com o filho, e ela mais uma vez respondeu. "O meu marido ficou doente, às portas da morte. Apesar de o ter deixado, eu é que fui tratar dele até ao fim." Nunca se tinham divorciado no papel, e a isso Luísa deve os 227,42 euros que recebe todos os meses. "É a pensão de sobrevivência. Fora isso, não tenho direito a mais nada, porque descobri tarde demais que o meu marido não tinha feito os meus descontos daqueles anos todos em que trabalhámos na casa de electrodomésticos. Estou entalada de todos os lados. A piorar o cenário difícil, a casa de Odivelas onde o casal viveu "teve de ser entregue à Banca para cobrir as dívidas" do marido, "e do mobiliário pouca coisa se conseguiu vender".
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Esta senhora, que não tem partido, foi candidata à Assembleia Municipal de Odivelas, em 2009, pelo Bloco de Esquerda (o edital é público), teve o que se chamava "rica vida" e o privilégio, dado pela nossa democracia, a determindas profissões por conta própria ou a comerciantes, de poder viver sem pagar à Segurança Social e com IRC's nulos ou irrisórios.
São célebres algumas frases: "Do meu não vêem nenhum"; "o taco está melhor do meu lado que do deles". Tantas e tantas vezes os que,voluntária ou obrigatoriamente, nunca deixaram de contribuir, para os que estavam reformados, para os necessiados, para a Saúde, etc... etc...,  foram apodados de totós e otários. Aquelas pessoas que, como esta senhora, agora clamam por solidariedade e se apresentam como "revoltadas", nunca foram, nos seus tempos áureos, solidárias com ninguém.

227,42 euros é pouco? Sim, é muito pouco. No entanto, para estas pessoas, é 227,42 euros a mais do que merecem.

É que, como ela diz "não é preciso ter posição política definida para achar que todas as pessoas devem ter as mesmas oportunidades e direitos." Direitos sim, Dona Luísa Avelina Lopes Lages Trindade, então e os DEVERES?

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