terça-feira, 9 de julho de 2013

Estação parva (III)

Os 40 anos de ditadura provocaram o divórcio entre os cidadãos e o Estado: Durante o regime de Salazar / Caetano habituámo-nos, a designá-lo por “ELES”, como tão bem compreendeu e escreveu António Gedeão, no seu magnífico poema “Pedra Filosofal”.
“Eles não sabem que o sonho / é uma constante da vida”; “Eles não sabem que o sonho / é vinho, é espuma, é fermento”; “Eles não sabem que o sonho / é tela, é cor, é pincel”; “Eles não sabem, nem sonham / que o sonho comanda a vida”. Eles, eles, eles, eles…

Depois da “madrugada libertadora”, embora aí o Estado já tivesse passado a sermos “NÓS”, talvez com o balanço, não nos coibimos de permitir que uns quantos se entretivessem a começar a dar cabo do que, sendo de todos, não era propriamente de ninguém.
Tanta falta de amor e de respeito manifestámos pelo que já nos competia proteger e desenvolver que acolhemos, até por vezes com aplausos e admiração, todas as pequenas, grandes e enormes vigarices e gamanços com que fomos contemplados ao longo dos últimos 39 anos.
Agora, como diziam os velhos, torcemos as orelhas mas já não deitam sangue.

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