O governo já “foi”, nem vale a pena gastar mais cera com tão ruim defunto.
Vamos então ter eleições, mais dia menos dia.
A partir do final dos setentas fui presença mais ou menos regular nas mesas de voto: Já fui presidente, vice, secretário e escrutinador. Nos primeiros tempos aquilo era uma multidão, todos os lugares preenchidos mais 2-delegados-2 por cada partido. Com o correr dos anos a coisa foi diminuindo, chegando este que se assina a participar em mesas de voto com o mínimo permitido por lei (3 cidadãos) e até os partidos passaram a ter um único delegado, digamos abrangente, que passava ciclicamente pelas mesas de voto. Talvez porque a malta começasse a estar de costas voltadas para este acto cívico, o Guterres, de cognome “o bonzinho”, criou a remuneração dos membros da mesa. Aí pude descansar porque, pelo menos numa primeira fase, passou a haver mais candidatos que lugares disponíveis.
No entanto, como a malta começou a fazer contas, o país parecia que estava em “vacas gordas” e também “setenta e seis euros por cerca de 11 horas de trabalho, ainda por cima em domingo ou feriado” não compensa, lá fui de novo chamado devido “à falta de um cidadão, devidamente justificada”. Ao responder à funcionária da Junta de Freguesia com um veemente não, quando esta me pediu o NIB para me ser creditado o valor da jorna, criei uma grande dificuldade à pobre rapariga. “Ó… não me faça uma coisa dessas porque me vai criar uma carga de trabalhos. Aceite, por favor”. A minha amiga Graça M., militante principal do PCP na zona, esclareceu-me logo: Nós não temos esse problema moral, damos logo o NIB do partido e fica resolvido. – Espera lá, então as mesas de voto são uma fonte de financiamento do partido? E isso é aceite? Tu podes “dar” um NIB que não é teu? Depois de um aceno cúmplice da minha amiga, lembrei-me do nosso grande Vasco Santana e retorqui com um piscar de olho: “Jerónimo amigo, andamos todos ao mesmo”.
Embora tenha pouco interesse para a história, lá acabei por aceitar, fazendo, de seguida, a doação exacta do valor recebido à “Casa das Cores” de Chelas, que acolhe crianças filhas de “agarrados”.
Eu sei que, para muita gente (para mim também) setenta e tal euros é um bom bónus. Agora é obviamente mais um exemplo de “má despesa pública”.
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