quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estação parva (VI)

A Assunção Esteves é mais estúpida que um calhau!
Quem pretende estar a um nível superior aos energúmenos que fizeram o triste espectáculo das galerias da Assembleia da República não pode colocar-se ao nível deles; ainda por cima sendo alguém que beneficiou de um estatuto especial e escandaloso (reforma avultada aos 42 anos). Pura e simplesmente pedia-lhes para se retirarem (como aliás fez, e bem, num primeiro tempo) e depois, perante o avolumar dos protestos, limitava-se a solicitar à polícia que evacuasse as galerias; uma medida profilática seria identificá-los e sugerir a um juiz que lhes aplicasse a medida de limpeza do hemicíclo.
A propósito destas “manifestações de protesto”, cumpre-me dizer que acho no mínimo incrível que profissionais do sindicalismo, pagos pelo erário público, possam passar a vida nisto. A democracia que não consegue colocar na ordem as suas próprias criações torna-se bandalheira, o que faz com que a generalidade do povo, um dia, clame pela “ordem”; Isto parece um remake do fim do regime da I República. Cuidado com o que pode estar para vir.
A mania de tratar como igual o que é diferente coloca-se nesta questão relacionada com os trabalhadores em funções públicas. É que o facto de professores, enfermeiros, médicos, polícias, juízes e outros com funções específicas, complexas e até perigosas, que estão devidamente elencadas, deverem ter condições de horário e idade de acesso à reforma diferentes dos outros, vulgarmente chamados “funcionários das repartições”, parece-me líquido e aceitável. Agora todos?
No privado as coisas foram feitas com tempo. Ainda hoje, em empresas e instituições (privadas) dos mais diversos tamanhos e actividades há “os antigos”, com condições diferentes dos “novos”; com o passar dos anos tudo se normaliza, à medida que os primeiros vão desaparecendo. Caso, nos últimos 30 anos, os governos tivessem tido a coragem de criar esses regimes duais de trabalho público, hoje já não haveria qualquer problema. Como isso nunca foi feito, tendo até o Cavacão sido um dos principais responsáveis pelo “monstro”, foi no primeiro governo do Sócrates e neste governo que tudo teve de ser feito à pressa, debaixo de enorme contestação e provavelmente mal feito.
Não costumo engolir a retórica de médicos, enfermeiros e professores que enfeitam a sua “luta” com a nobreza da “defesa do Serviço Nacional de Saúde” ou “da escola pública”. O que está em causa (e justamente) é dinheiro, porque é com ele que esses profissionais (como todos os outros) compram as vitualhas, pagam as casas e educam condignamente os filhos. Assim entendemo-nos.

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